As obras para a construção de moradias no bairro Sonho Nosso 5, em Barra Bonita, foram paralisadas por cerca de três horas na manhã de ontem. A informação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê (Sintracombb), Marcelo Maganha.
Por volta das 7h, 18 homens seguraram o portão de entrada e impediram a entrada dos demais trabalhadores da obra – cerca de 110. Segundo Maganha, o clima no local estava tumultuado, pois os manifestantes não queriam conversar com a empresa responsável pelas obras, a Gobbo Engenharia, de Bauru, e não deixavam caminhões descarregar material.
Os trabalhadores reivindicavam melhores condições no alojamento em que residem em Barra Bonita. Maganha afirma que eles reclamavam da falta de camas, pois os colchões estariam dispostos no chão, de sanitários sujos e de fiação exposta.
“Cinquenta e cinco homens se mostraram descontentes com a estadia. Amanhã (hoje) a Gobbo vai fazer acerto de contas com esses trabalhadores e pagar a passagem de ônibus para que eles voltem à cidade de origem. Os demais continuarão trabalhando. Resolvemos a situação emergencial, mas agora vamos apurar a situação dos alojamentos”, diz Maganha. A partir das 10h, as obras teriam sido retomadas.
Dos cerca de 120 trabalhadores da obra, 90% são das regiões Norte e Nordeste, sendo a maioria do Maranhão e Piauí. Os 10% restantes são de Barra Bonita, Igaraçu do Tietê e Bauru. Os empregados, a maioria jovens, estão alojados em dez casas localizadas próximas da obra.
“Segundo informações da empresa, alguns trabalhadores deixavam o alojamento em que estavam escalados e iam para outro. Por isso, houve superlotação, enquanto outros ficaram vazios”, afirma o presidente do sindicato. O Comércio entrou em contato com a Gobbo Engenharia, mas nenhum dos diretores se encontrava na empresa. Não houve retorno.
Tempo
O presidente do sindicato informa que os trabalhadores do Nosso Sonho 5 atuam na obra de três a seis meses como pedreiros e serventes de pedreiro. O salário da construção civil é de R$ 1.168 para o primeiro cargo e R$ 979 para o segundo.
Hoje, às 8h, está previsto que a Gobbo faça acerto de contas com os 55 trabalhadores descontentes com a situação dos alojamentos. Posteriormente, deve haver a contratação de novos funcionários. “Estamos com problema de mão de obra na construção civil, mas vou sugerir que tentem contratar pela nossa região”, fala Maganha.
Apesar de o presidente acreditar que a paralisação possa afetar o andamento das obras, a prefeitura de Barra Bonita diz que não haverá prejuízo na entrega das moradias (leia texto). (Natália Gatto Pracucho)