...
PUBLICIDADE
31/07/2011

20% da população de Jaú mora em 5 bairros

  
Crianças brincam em terreno baldio em Potunduva por falta de opções: moradores lutam por emancipação para ter melhor qualidade de vida no distrito Tuca Melges

Morar em um dos cinco maiores bairros de Jaú não significa sentir a presença do poder público na esquina de casa. Décadas de crescimento sem planejamento e os dados do último censo revelam que as regiões mais populosas da cidade não receberam na mesma proporção o acesso a hospitais, escolas e acompanhamento social. E o descompasso é alarmante: um em cada cinco jauenses mora nos Jardins Padre Augusto Sani, Cila Bauab, Pedro Ometto, Orlando Ometto ou Maria Luiza 4. O Comércio cruzou os dados revelados na Sinopse por Setores, divulgada no mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a quantidade de equipamentos públicos fornecidos pela Prefeitura ou pelo Estado. O cenário é paradoxal. O Jardim Padre Augusto Sani é o maior bairro de Jaú, com 9.112 habitantes. Seus moradores, contudo, só desfrutam de um destacamento do Programa Saúde da Família (PSF) e de uma escola estadual. Qualquer outro benefício está disponível no vizinho Jardim Nova Jaú – o que representa quilômetros de distância entre a última rua de um bairro e a primeira do outro. Já o Jardim Pedro Ometto, o terceiro maior bairro de Jaú, dispõe de privilegiado sistema de saúde, muito em função da Policlínica, que acaba servindo a toda a cidade. Um estudante dessa região pode, por exemplo, ingressar no ensino infantil e sair formado no terceiro grau sem precisar deixar seu bairro. O servidor do IBGE Marcos Antônio Martines Fernandes avalia esse contrassenso. “As cidades não são planejadas adequadamente para atender à população, e sim a outros interesses. Os equipamentos públicos ‘correm atrás’ da necessidade da população, quando o planejamento correto seria inserir os moradores posteriormente”, indica. Loteamentos Os cinco maiores bairros de Jaú reúnem cerca de 25,8 mil pessoas. A rotina de cada um deles – bem como a do Distrito de Potunduva – fortalece a hipótese de que em algum momento o crescimento do Município errou a mão. “Antes era possível criar seis bairros deixando as áreas de lazer e as áreas institucionais nos piores lugares. Nunca se pediu uma contrapartida nesses loteamentos”, indica o secretário de Planejamento e Obras, Francisco Antônio Marcolan. Uma das soluções, segundo o chefe da pasta, pode estar na revisão da Lei de Zoneamento – em tramitação na Câmara. A norma pode criar um fundo nutrido pelas transferências de áreas e pelo potencial construtivo dos setores de Jaú. Os recursos seriam obrigatoriamente aplicados em infraestrutura, obras sociais e lazer. “Infelizmente essa discussão é muito recente no Brasil, até a legislação nacional é novidade”, pontua o assessor jurídico da Prefeitura Norberto Leonelli Neto. Literalmente na periferia dessa discussão, a cidade se reinventa para que boa parte da população não precise se deslocar de forma significativa em busca do que lhe é mais essencial. (leia textos). (João Guilherme D´Arcadia e Natália Gatto Pracucho)

Galeria de imagens:(Clique para ampliar)

 COMENTÁRIOS