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21/04/2015

Mostra fotográfica de ex-babá chega a SP

  
Fotografia registrada em Grenoble, na França, em 1959, evidencia preferência de Vivian Maier por crianças maltrapilhas Fotos: Vivian Maier

Quando Vivian Maier morreu, uma nota no jornal “Chicago Tribune” disse que ela foi quase uma mãe para as crianças John, Lane e Matthew, “sempre pronta a dar um conselho, uma ajuda”. Mas não disse nada sobre as 150 mil fotografias que a babá, morta aos 83, há seis anos, tirou ao longo de toda sua vida, em Nova York e Chicago.

Isso porque Vivian, que agora tem mais de cem de suas imagens numa retrospectiva no Museu da Imagem e do Som (MIS), nunca mostrou sua obra a ninguém, mesmo sendo uma acumuladora voraz de flagras de crianças, velhinhos, casais e do próprio rosto refletido em espelhos e vitrines das metrópoles.

Todo esse universo retratado por ela entre as décadas de 1950 e 1980 envelheceu em caixas num depósito até que, há oito anos, um corretor de imóveis de Chicago arrematou seus negativos num leilão – por falta de pagamento, o galpão vendeu os pertences da babá, que viveu seus últimos anos vagando pelas ruas.

Só depois da morte de Vivian é que John Maloof, que comprou as imagens, acabou identificando a misteriosa artista. Sua busca rendeu “A Fotografia Oculta de Vivian Maier”, documentário indicado ao Oscar deste ano em que constrói um perfil da mulher que se retratava sempre com o olhar fixo no fundo da lente ou de perfil, a boca entreaberta como se estivesse prestes a dizer alguma coisa.

“Ela tinha mesmo uma patologia, era obcecada em conservar, acumular, gravar o mundo”, diz Anne Morin, que organiza a mostra paulistana. “Mas insistia em deixar a sua pegada, uma assinatura.”

Periferia

As imagens de Vivian dão especial atenção a crianças, mas não as limpinhas, de pais abastados. Maier preferia as maltrapilhas, perdidas. “Ela se interessava por gente anônima, pobre, na periferia do mundo como ela”, diz Morin. “Essa é a força de seus retratos. Ela parece se projetar nos personagens da mesma forma que nunca sorri nos autorretratos. Era uma busca por identidade.”

“Essas fotos vão redefinir a história da fotografia de rua”, diz Helouise Costa, do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP). “É lugar-comum falar de enigma no trabalho dela, mas nunca vamos saber de fato as suas motivações.”

Seu triste fim também não dá pistas. Vivian Maier morreu sozinha e abandonada, resgatada da rua por um dos meninos que criou. Ele a reconheceu dormindo no asfalto. (FOLHAPRESS)

Galeria de imagens:(Clique para ampliar)

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