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Folhapress 06/08/2015

Alguém precisa unir o País, diz Temer

Visivelmente nervoso, vice-presidente afirma que desenvolvimento está acima de partidos, governo e instituições

  

Um dia após o governo sofrer nova derrota na Câmara dos Deputados, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) reconheceu a gravidade da crise política e econômica e apelou aos partidos da base do governo para que se dediquem a resolver os problemas.

Após passar a quarta-feira reunido com líderes de partidos governistas e ministros de Dilma Rousseff, Temer fugiu ao tradicional tom ameno e reagiu à aprovação de medidas com impacto fiscal. A mensagem foi repetida por outros integrantes do primeiro escalão, inclusive os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e do Planejamento, Nelson Barbosa.

Visivelmente nervoso após se reunir com deputados, Temer disse que é preciso que “alguém tenha a capacidade de reunificar a todos”, colocando-se como esse agente político. “Caso contrário, podemos entrar em uma crise desagradável para o País.”

“Não vamos ignorar que a situação é razoavelmente grave, não tenho dúvida que é grave, e é grave porque há uma crise política se ensaiando, há uma crise econômica que está precisando ser ajustada mas, para tanto, é preciso contar com o Congresso”, afirmou o vice-presidente.

Com sua declaração, Temer quis dividir a responsabilidade da crise com o Legislativo e mostrar que o governo está tentando de tudo, mas chegou a um ponto em que é preciso contar com outros setores e instituições. “Estamos jogando contra a Alemanha, tomando gol todo dia”, disse um importante auxiliar presidencial à Folha. Apesar dos esforços para unir a base, que contou inclusive com um jantar oferecido pela presidente na segunda no Palácio da Alvorada, o fim do recesso parlamentar trouxe um cenário sombrio para o governo.

Anteontem, a Câmara decidiu que não adiaria a votação do primeiro item da chamada “pauta-bomba”, a PEC 443, que equipara salários da Advocacia-Geral da União e de delegados aos do Judiciário. O projeto seria votado na noite de ontem e ainda precisa passar pelo Senado.

Para discutir a derrota e como serão as novas votações, Temer fez uma primeira reunião com senadores da base e terminou com os parlamentares prometendo adotar uma postura diferente da tomada pela Câmara dos Deputados.

Mas a reunião com os líderes da Câmara, na sequência, teve “um clima péssimo”, segundo interlocutores de Temer, na qual os deputados admitiram que não têm controle sobre suas bancadas e não conseguem fazer com que elas votem com o governo porque há insatisfação em relação a cargos e emendas.

Segundo o vice-presidente, sua atuação como interlocutor entre o Executivo e o Legislativo foi de “sucesso” até hoje. Agora, continuou, no início do segundo semestre, “agrava-se uma possível crise e precisamos evitar isso em nome do Brasil, do empresariado e dos trabalhadores”.

Segundo o vice, são “várias as questões que preocupam”, disse, sem citar diretamente movimentos liderados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e líderes da oposição para fazer avançar um processo de impeachment contra Dilma. Para o dia 16 de agosto estão marcadas diversas manifestações contra a presidente.

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