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14/06/2018

Espanha demite técnico que salvou seleção para Mundial

  

É raro ver uma das seleções favoritas ao título mundial mergulhar em uma crise a dois dias da estreia. A Espanha viveu uma quarta-feira caótica com a demissão de Julen Lopetegui, 51 anos, treinador que parecia ter recolocado a equipe nos trilhos após os fracassos na Copa de 2014 e na Eurocopa de 2016.
O técnico foi dispensado pelo presidente da Real Federação Espanhola, Luis Rubiales. O dirigente se considerou traído por não ter sido avisado de que Lopetegui havia fechado acordo para dirigir o Real Madrid após o Mundial. O clube da capital fez o anúncio na última terça-feira. “A negociação é legítima, mas a forma é importante. A federação não sabia de nada e temos de passar uma mensagem para todos os funcionários. A seleção é de todos os espanhóis”, disse Rubiales.
Na Rússia, a seleção será comandada pelo ex-zagueiro Fernando Hierro. Ele já estava na delegação como diretor de seleções. A Espanha estreia nesta sexta-feira, contra Portugal, em Sochi. Ídolo histórico do futebol nacional depois de ter jogado quatro vezes a Copa do Mundo (1990, 1994, 1998 e 2002), Hierro é uma solução caseira, como Lopetegui foi, de certa forma, ao ser escolhido o treinador em julho de 2016. A Espanha havia sido eliminada nas quartas de final da Eurocopa dois anos depois de cair ainda na fase de grupos no Mundial no Brasil.
A federação quis reencontrar a fórmula que levou a equipe a ganhar dois títulos continentais e um Mundial entre 2008 e 2012. Desempregado após sair do Porto (POR), o treinador de origem basca se encaixava na descrição. Ele já conhecia todos os jogadores. Fez carreira nas categorias de base da seleção. Dirigiu os times sub-19, sub-20 e sub-21. A filosofia de jogo que fez a Espanha se tornar a número 1 do futebol mundial era também a sua. Deu tão certo que a seleção ganhou seu grupo nas eliminatórias superando a Itália. Nos amistosos de preparação para a Copa, venceu a Argentina por 6 a 1, em Madri. Com ele no cargo, estava invicta.
“A Espanha é uma das favoritas ao título”, disseram Lionel Messi e Jorge Sampaoli após a goleada na Espanha.
Ele não apenas havia estabilizado o barco da seleção, como parecia capitanear um projeto de longo prazo. Há cerca de três semanas, a federação anunciou a renovação do contrato com o técnico até 2020. Estava mantido no cargo no mínimo até a próxima Eurocopa. Luis Rubiales evitou falar isso de todas as formas, mas se sentiu traído. A decisão de demitir Lopetegui foi exclusiva do presidente da federação. Sergio Ramos, Andrés Iniesta, David Silva, Gerard Piqué, Sergio Busquets e Pepe Reina se reuniram com Rubiales horas antes da decisão final. Não conseguiram demovê-lo de ideia. “Estou muito triste, mas desejando que joguemos um grande Mundial”, afirmou Lopetegui, antes de embarcar para a Espanha. Foi a única declaração que deu. (Folhapress)

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