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14/06/2018

Mundial começa sem franco favorito ao título

  
Serão 64 jogos até a conquista da taça Fifa Kremlin

O fator campo promete emoções adicionais nesta edição da competição. Primeiro, porque há um suposto equilíbrio entre os principais favoritos, com Alemanha, Brasil e Espanha, algo acima de França, Argentina, Bélgica e Portugal. Toda Copa começa com uma lista dessa, só para ser desmentida na fase de grupos. Não se sabe o impacto que a demissão do técnico espanhol na véspera da abertura pode ter, por exemplo.
Isso fora o sempre esperado despontar de um time sensação. Ou algum jogador inusual que desequilibre, a exemplo do egípcio Salah no campeonato inglês da última temporada. O meia-atacante, que volta de contusão, introduz ainda um componente geopolítico no torneio: é o maior astro muçulmano do esporte, num momento em que a Europa que lidera o faturamento com o futebol vem fechando as portas a imigrantes como ele.
Na mão inversa, ele está sendo criticado por ser usado como garoto-propaganda da autocracia da Tchetchênia, república russa de maioria muçulmana que serve de ponte do Kremlin com o mundo árabe, e onde o Egito montou acampamento desde que chegou.
No caso do Brasil, a recuperação da equipe que foi humilhada no 7 a 1 levado da Alemanha em 2014 na própria casa, é notável. Após a chegada de Tite ao time, em 2016, o reequilíbrio do padrão de jogo e a presença de um Neymar recuperado de lesão colocaram a seleção num topo que alguns temem ser exagerado. Há também a presença de dois superastros crepusculares, o português Cristiano Ronaldo, 33 anos, e o argentino Lionel Messi, 30. Ambos dominam o posto de melhor do mundo da Fifa desde 2008, mas nunca ganharam uma Copa – e esta pode ser a última deles em alto nível. 
Com tantos atrativos em campo ao longo de 64 jogos de 32 seleções, o fato de tudo acontecer dentro de um monólito político no qual alternância de poder não existe como no Ocidente acaba passando despercebido. Coisas podem dar errado para o Kremlin. A repercussão de um ato terrorista, algo nada impossível de ocorrer, acabaria amplificada. Seria Munique-72, e não Atlanta-96, para ficar em exemplos olímpicos bastante incomparáveis de resto. O maior antípoda midiático de Putin, o blogueiro Alexei Navalni, sairá da prisão entre esta quinta e sexta-feira, o que leva a especulações se ele tentaria repetir os megaprotestos de 2017. Dando tudo certo, a festa de Putin ainda assim não parece que será completa, a se levar a sério o apelo por aceitação feito na Fifa: "É bom que vejam que outros países são amigáveis e legais". (IGOR GIELOW/Folhapress)

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