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05/08/2018

Desmonte ao longo de décadas

  

Apesar de não considerar os dados mostrados pela pesquisa Profissão Docente uma novidade, Sérgio Leite, professor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lamenta a insatisfação de professores brasileiros com a própria carreira.

“Isso é produto de um processo que vem acontecendo há muito tempo. As condições de formação e de trabalho vêm, historicamente, sofrendo uma curva descendente cujo efeito é essa perda de encanto pela profissão. As únicas pessoas que vão para a área são movidas por ideal”, observa.

Com 70 anos de idade, Leite relembra que, quando ele estudava nos antigos grupos escolares e ginásios, a educação pública tinha uma qualidade padrão. Contudo, ao longo das décadas os governos reduziram o fluxo de investimentos direcionados ao ensino público. Governantes tentaram atribuir a queda na qualidade ao aumento da quantidade de escolas – argumento inválido na opinião do docente da Unicamp.

“Se o quadro hoje é desanimador, não é porque Deus quis, mas porque não foram tomadas decisões de modo a manter a qualidade do ensino”, critica.

O quadro só será revertido, opina, com compromisso político. O primeiro passo é rever as condições de trabalho do professor e tornar a profissão atrativa – em um país capitalista, o ponto básico para isso é o salário.

“É complicado, pois demanda tempo e tudo muda conforme o governo vigente”, pondera. (MO)

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