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Estela Capra 10/10/2018

Cobertura mamográfica é a menor em 5 anos

Baixo número de exames alerta para o impedimento de diagnóstico e tratamento precoce

  
Mamografia é recomendada para mulheres a partir dos 40 anos Edson Lopes Jr./GESP

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) divulgou pesquisa realizada em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia apontando que o porcentual de mamografias efetuadas em 2017 em mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é o menor dos últimos cinco anos.
No Estado de São Paulo, o número de exames esperados para o período era de 2.799.036. No entanto, apenas 802.737 foram realizados, o que corresponde a 28,7%. Em termos nacionais, a expectativa era fazer 11,5 milhões de exames, mas foram realizados 2,7 milhões, cerca de 24%. O índice de cobertura é 46% menor do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
De acordo com o mastologista da SBM Anastasio Berrettini, a taxa baixa se deve à falta de acessibilidade de pacientes atendidas pela rede pública e pelo medo de encontrar alterações, em pacientes da rede particular de saúde. “Cobertura inadequada impede um tratamento menos agressivo e mais eficaz. Apesar de todo o investimento em saúde e da evolução dos tratamentos, a taxa de mortalidade do Brasil cresce ano a ano”, comenta.
O assunto ganha ênfase neste mês em que é fixada a campanha Outubro Rosa, que visa à prevenção do câncer de mama e promove orientação sobre o autoexame. 
No ano passado, durante a passagem da carreta do Projeto Mulheres de Peito por Jaú, entre os dias 3 e 27 de outubro, foram realizados 854 mamografias e 32 ultrassonografias, números considerados acima do esperado pela equipe de enfermagem do projeto. 
Além do espaço, as mulheres têm a oportunidade de fazer o procedimento pelo SUS e em unidades privadas do Município. Neste ano, ainda não há data para a carreta vir à cidade. “Por conta do período eleitoral, ainda não consegui negociar isso. Mas, assim que acabar, vou para São Paulo para agendar”, diz o vereador Tito Coló, que intermediou a vinda do projeto para o Município desde 2014. O programa efetuou mais de 4,5 mil exames.
O mastologista do Hospital Amaral Carvalho João Ricardo Paloschi avalia que a cobertura mamográfica de Jaú também está abaixo do esperado. “Acredito que o número de mamografias, não só de Jaú, no comparativo do que deveria ser feito, é menor. O Brasil inteiro está abaixo e nós devemos estar dentro disso”, comenta.

Recomendação 

O exame é importante para a saúde da mulher, pois proporciona diagnóstico precoce, promovendo tratamento menos agressivo e melhores resultados. A recomendação atual é que mulheres a partir dos 40 anos realizem o exame. Pelo SUS, a recomendação é que façam a mamografia mulheres dos 50 aos 69 anos a cada dois anos.
“É o exame que tem mais condições de observar alterações no câncer e doenças benignas. Mas não como exame isolado, tem validade quando está inserido em um contexto para avaliar o estado clínico do paciente”, explica o mastologista Paloschi.

Autoexame

O autoexame, chamado atualmente de autoconhecimento, embora seja importante ferramenta, não é meio para diagnóstico do câncer de mama.
“Quando a mulher consegue sentir o nódulo em um autoexame significa que essa massa já está avançada, por isso o autoexame não é um exame preventivo”, diz Berrettini.
O autoconhecimento deve ser realizado por homens e mulheres e o indivíduo precisa se atentar quanto ao formato da mama, retração do mamilo, mudança na coloração da mama e até mesmo saída de secreção sanguinolenta.

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