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FOLHAPRESS 11/10/2018

Justiça fecha aeroporto após suspeita de fuga

Serviço de inteligência detecta que cúpula do PCC teria plano de evasão de presídio

  

A Justiça determinou o bloqueio do aeroporto do município de Presidente Venceslau, no extremo oeste do Estado de São Paulo, após receber informações sobre um possível plano de resgate de integrantes da cúpula da facção criminosa PCC. Presídios com alguns chefes do bando ficam na cidade.

Segundo despacho do juiz Gabriel Medeiros, a ordem à prefeitura para o fechamento imediato do aeroporto municipal vale pelo prazo inicial de 20 dias. "Há enorme preocupação com o aeroporto municipal, pois (fica) muito próximo ao estabelecimento prisional, permitindo logística para atuação de referida organização criminosa", diz despacho judicial. "A medida se mostra absolutamente necessária, pois evitará problemática maior."

O magistrado é responsável pela penitenciária 2 de Venceslau, onde estão os principais chefes da facção. Entre eles está Marco Camacho, o Marcola, apontado pela polícia e pela Promotoria como o número 1 do grupo e um dos possíveis alvos do plano de resgate.

A ordem do magistrado coincide com uma megaoperação da Polícia Militar (PM) realizada ontem na cidade e região. Foram empregados grupos de elite da corporação, como Rota, COE e grupamento aéreo Águia (ao menos duas aeronaves sobrevoavam a cidade.)

Estima-se em cerca de 150 os policiais desses grupos especiais da PM empregados na ação, fora o contingente da região de Presidente Prudente, principal cidade da região e distante cerca de 600 quilômetros da capital paulista.

Também foi enviado para a região um veículo blindado, o Guardião, utilizado pela tropa de Choque de São Paulo para transporte de 24 policiais e reservado para ações de possível confronto.

Procurado, o governo paulista afirma que as ações policiais se tratam apenas de operação de rotina como as que já ocorreram em outras ocasiões no passado.

A reportagem apurou, porém, que tal efetivo policial foi remanejado depois que setores de inteligência da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) detectaram suspeitas sobre o plano dos criminosos.

Essa informação foi repassada pelo secretário Lourival Gomes (Penitenciária) ao secretário de Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, que determinou o envio das tropas. Elas não têm prazo para deixar a região de Prudente.

Pelas informações detectadas, os presos planejariam uma rebelião nos presídios da cidade, quando, ao mesmo tempo, criminosos do lado externo tentariam romper os muros da penitenciária com armas e explosivos.

Em junho deste ano, os setores de inteligência da PM e da Administração Penitenciária já tinham detectado um outro plano de resgate de integrantes do PCC nessa mesma unidade prisional, este atribuído a Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, outro chefe do PCC preso em Venceslau.

Nesse plano, a ideia dos criminosos era usar um caminhão guincho, grande e pesado, preparado com chapas de aço. A proteção serviria para resistir a tiros da polícia e, ao mesmo tempo, ajudar a derrubar os muros da prisão.

O veículo também teria frestas por onde os bandidos poderiam efetuar disparos contra as forças de segurança. Eles planejavam ainda investidas contra o quartel da PM e explosões pela cidade.

Em 2014, o governo detectou suposto plano de resgate de Marcola e mais três comparsas. Os criminosos planejavam utilizar dois helicópteros blindados, camuflados com as cores das aeronaves da PM, pousar no presídio e resgatá-los com uma cesta.

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