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06/12/2018

Bolsonaro acena a partidos negociação de 2º escalão

Presidente eleito tem sido criticado por ignorar líderes e integrantes das cúpulas das legendas

  

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) acenou ontem a parlamentares que irá negociar, nas próximas semanas, cargos no segundo escalão do governo. De acordo com relatos feitos à reportagem, a promessa foi feita em encontro com deputados do PR, partido do ex-deputado Valdemar Costa Neto, um dos condenados no escândalo do mensalão.
Bolsonaro recebeu durante a tarde bancadas de alguns partidos, dando seguimento às reuniões que começaram na terça, com MDB e PRB.
Segundo participantes, parte do discurso do presidente eleito foi de que a política não será feita como nos mandatos anteriores, com troca de favores.
Apesar disso, sinalizou que vai ouvir as siglas para formar seu segundo escalão, que engloba cargos federais nos ministérios e nos estados.
Bolsonaro tem sido criticado por partidos por ignorar líderes e integrantes das cúpulas das legendas na escolha de seus ministros.
De acordo com deputados que estiveram na reunião da tarde desta quarta, as conversas do segundo escalão começarão em breve. "Ele (Bolsonaro) disse que em duas ou três semanas ele vai começar a discutir com bancadas e com grupos o segundo escalão", disse Lincoln Portela (PR-MG). "Mas ele foi bem claro, que não haverá troca de favores", completou.
O PR anunciou nesta quarta que passou formalmente a fazer parte da base do governo eleito, mas disse que a fidelidade será discutida projeto a projeto. "Não vamos atuar de maneira coercitiva ou de qualquer outra maneira forçar o parlamentar ou colega de maneira que o partido está encaminhando. Vamos envidar todos os esforços no sentido do convencimento", disse José Rocha (BA), líder do PR.
Os encontros foram no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), onde está montado o gabinete de transição. Bolsonaro criou há alguns dias um grupo de parlamentares que não se reelegeram para fazer parte da articulação política do governo com o Congresso. Entre eles estão os deputados Leonardo Quintão (MDB-MG) e Carlos Manato (PSL-ES). Nesta terça, o presidente eleito usou o discurso antipetista para tentar obter o compromisso de legendas de apoiarem seu governo.
Segundo relatos, ele disse a deputados que um eventual fracasso representará a volta do grupo que comandou o país de 2003 a 2016.
Bolsonaro tem como prioridade anunciada no Legislativo, em 2019, a aprovação de uma reforma da Previdência, o que, por alterar a Constituição, precisa do apoio de no mínimo 60% dos 513 deputados e 81 senadores, em duas votações em cada Casa.
Com o objetivo de impedir que o governo assuma com força expressiva na Câmara, o que enfraqueceria o poder de barganha das legendas, líderes de vários partidos estão negociando a formação de um bloco para lotear o comando da nova legislatura.
Estão excluídos desse movimento as duas siglas com melhor desempenho nas eleições para deputado federal, o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e o PSL de Jair Bolsonaro. A primeira reunião formal do bloco ocorreu nesta quarta, na Câmara. Líderes de 15 partidos participaram do encontro.

Onyx

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, sugeriu que poderá demitir o futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, se houver denúncia robusta contra ele. "Olha só, havendo qualquer comprovação obviamente ou uma denúncia robusta contra quem quer que seja do meu governo que esteja ao alcance da minha caneta Bic, ela será usada", afirmou. A declaração é uma resposta a questionamento feito sobre uma fala de seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão. Em Belo Horizonte, Mourão disse que Onyx teria de deixar o governo se for provado que ele cometeu ato ilícito.
O futuro chefe da Casa Civil se tornou alvo de uma investigação aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) a pedido da Procuradoria-Geral da República, na terça-feira (4) por suspeita de caixa dois. Ele foi apontado em acordos de delação da JBS como beneficiário de dois repasses não declarados como doações de campanha. Um deles de R$ 100 mil em 2014, e outro de R$ 100 mil em 2012. Onyx já admitiu em entrevista ter recebido R$ 100 mil da JBS em 2014 e pediu desculpas. Ele, contudo, nega a segunda acusação, revelada pela “Folha de S.Paulo” em novembro. 
Na reta final da formação de sua equipe de governo, Bolsonaro afirmou nesta quarta que ainda não escolheu o futuro ministro de Direitos Humanos. Ele diz que Damares Alves, advogada e assessora do senador Magno Malta (PR-ES), é apenas um nome, mas que não há definição. O presidente eleito negou que haja qualquer animosidade com o fato de Malta não ter sido escolhido para ocupar nenhum de seus ministérios. (Folhapress) 

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