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06/01/2019

Igreja da Ucrânia se separa de Moscou em novo cisma

  

A nova Igreja Ortodoxa da Ucrânia foi reconhecida ontem pelo líder espiritual desse ramo do cristianismo, o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu. É o maior cisma cristão desde a reforma protestante do século 16 e um importante capítulo na disputa entre russos e ucranianos.
Bartolomeu irá finalizar o processo editando hoje o “tomos”, um documento assinado ontem que confirma a criação da nova igreja, fundada oficialmente no dia 15 de dezembro passado. Na cerimônia em Istambul, cidade turca antes conhecida como Constantinopla, foi ungido líder da denominação o agora metropolitano Epifânio.
O reconhecimento é uma derrota para Vladimir Putin, o presidente russo que vinha comparando o movimento de autonomia com o grande cisma que dividiu o cristianismo entre católicos romanos e ortodoxos, em 1054. Putin falou até em “derramamento de sangue” como consequência do evento.
Religião à parte, a questão é política. A Ucrânia tinha três denominações ortodoxas, a principal dela subordinada ao Patriarcado de Moscou, que é fortemente alinhado ao Kremlin. Seu líder, Cirilo, chama Putin de “milagre de Deus”, e ao longo de seus quase 20 anos no poder o presidente usou a religião para galvanizar apoio ao seu projeto nacionalista.
Desde que um golpe derrubou o governo pró-Moscou em Kiev, em 2014, a Rússia passou a intervir militarmente no vizinho. Anexou a península de maioria étnica russa da Crimeia, um território que foi seu até 1954.
Em novembro, o Kremlin apreendeu navios de guerra ucraniano e está julgando seus marinheiros, levando a Ucrânia a decretar lei marcial.
O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, acelerou então medidas contra a igreja. (Folhapress)

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