Fábio Ramalho quer se lançar candidato a presidente da Câmara dos Deputados

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FOLHAPRESS 08/01/2019

Adversário de Maia se encontra com Bolsonaro

Fábio Ramalho quer se lançar candidato a presidente da Câmara dos Deputados

  
Fábio Ramalho fala com a imprensa após audiência com Bolsonaro Wilson Dias/Agência Brasil

Apesar de seu partido ter fechado acordo para apoiar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se reuniu com o principal adversário do deputado na disputa, Fábio Ramalho (MDB-MG), atual vice-presidente. A eleição será no dia 1º de fevereiro.

O parlamentar solicitou a audiência ao presidente, que o recebeu no Planalto em agenda oficial nesta segunda-feira. Segundo Ramalho, Bolsonaro afirmou que o acordo do PSL com Maia não contou com sua participação direta.

"Ele disse que a questão do PSL foi direto do Luciano Bivar (presidente da legenda), não partiu dele. Ele tem uma grande simpatia por mim", relatou Ramalho.

Na semana passada, Bivar (PSL-PE) anunciou que seu partido daria os 52 votos da bancada para a reeleição de Maia, em troca de um cargo na Mesa Diretora e da presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa.

De acordo com o atual vice-presidente da Câmara, Bolsonaro disse que, apesar do acordo do PSL com Maia, ele teria sua bênção para buscar votos. "Demonstra que ele sabe que eu tenho uma possibilidade real de ganhar e que eu não sou empecilho para as reformas", afirmou Ramalho.

Bolsonaro tem dito a aliados que não se intrometerá na disputa pelos comandos da Câmara e do Senado.

Foi essa postura que ajudou a enfraquecer, por exemplo, a candidatura de João Campos (PRB-GO), que tentava se posicionar como candidato bolsonarista. Sem o apoio formal do governo, viu suas chances minguarem e seu partido declarar suporte a Maia.

No caso de Ramalho, a possível força de sua candidatura reside em seu trânsito com o chamado baixo clero. Com essa base, ele foi eleito como surpresa em 2017 para a vice-presidência da Casa, com 265 votos. Derrotou, no processo, Osmar Serraglio (MDB-PR), candidato do governo do então presidente Michel Temer.

Por isso, o deputado pode embaralhar o jogo, apesar de ser considerado um parlamentar "folclórico". "Fabinho Liderança", como é chamado, é conhecido pelas festas em seu apartamento funcional e pela comida mineira que serve em seu gabinete durante as noites de votação na Casa – para o encontro com o presidente, levou uma sacola térmica com linguiças, queijo canastra, doce de leite e pé de moleque.

Seus aliados estimam que ele pode amealhar ao menos 100 votos entre os colegas.

Seu discurso é voltado justamente para os deputados de castas mais baixas do Congresso. Ele tem usado a retórica de que é preciso "acabar com a panelinha" na Casa ao falar com os parlamentares.

Ramalho, por exemplo, afirma ter votos no partido do presidente. Como a votação é secreta, não é possível garantir que todos os parlamentares de cada bancada votem no candidato com o qual sua sigla fechou acordo.

Apesar do discurso de que está buscando o voto individual de parlamentares, e não de partidos, o vice-presidente tem tentado contato com os líderes do MDB e do PP na Câmara, Baleia Rossi (SP) e Arthur Lira (AL), respectivamente, que avaliam montar um bloco em oposição à candidatura de Maia.

Além disso, busca também acenar para a esquerda, que adotou postura de mais cautela em relação a Maia após sua aliança com o PSL.

Aliados do presidente da Câmara minimizaram, porém, o efeito político da visita de Ramalho a Bolsonaro, visto que o encontro foi pedido pelo próprio deputado.

Segundo eles, seria preocupante se o presidente tivesse solicitado a audiência, não o contrário. Nesse cenário, Bolsonaro estaria fazendo um aceno a Ramalho, contrariando o discurso de imparcialidade na disputa da Casa.

Interlocutores de Maia o convenceram de que era preciso firmar o acordo com o PSL, que tem a segunda maior bancada de deputados, mesmo com a retórica de neutralidade ecoada por Bolsonaro.

A conduta do presidente da República vem do medo de apoiar publicamente um candidato que possa sair derrotado, gerando um problema logo no início do mandato, já que é pela Câmara que a principal pauta econômica do governo, a reforma da Previdência, terá de passar primeiro. 

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