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Patrimônios de jauensidade - parte 4

POR Maria Waldete de Oliveira Cestari 19/06/2015

Jaú possui patrimônios que foram, são e sempre serão aquilo que melhor representa a jauensidade, um sentimento único de amor à terra jauense, a sua história, a sua gente e as suas coisas. O bispo dom Francisco José Zugliani é um deles. Peço permissão para chamar esse ilustre religioso de dom Chiquinho, incorporando ao seu título hierárquico o seu apelido pelo qual sempre foi conhecido e chamado na cidade.

Francisco nasceu em Mineiros do Tietê no dia 1º de maio de 1934, filho de Neide Ometto e Angelo Zugliani. Foi o terceiro de sete filhos. Seu pai tinha uma cervejaria e fábrica de refrigerantes naquela cidade, que funcionava desde 1897. Em 1941, veio com a família para Jaú, onde comprou de Luiz Spirandelli uma fábrica dos mesmos produtos.

Nessa época, meu avô materno José Castan, casado com Tereza Munerato, também tinha uma fábrica que produzia cervejas e refrigerantes, entre eles uma deliciosa "gasosa", cuja fórmula foi vendida para outra de nome Guajubol, quando a sua foi fechada. A fábrica do Zugliani tem até hoje uma “sodinha” de sabor inigualável e fórmula própria, essa um patrimônio de jauensidade.

Talvez tenha sido essa semelhança nos negócios que aproximou as duas famílias e, segundo minha mãe, Odette, muitas vezes Angelo e Neide colocavam seus filhos no caminhão que tinham e iam visitar José e Tereza, coisa muito comum naquela época.

Minha mãe conta também que quando Francisco nasceu a família foi visitar os amigos para conhecer o bebê e ela se lembra que dona Neide deu a ela, que tinha 8 anos, o novo integrante da família para segurar no colo. Ele se tornou muito amigo do meu tio Danilo.

Eu fui muitas vezes com minha avó visitar dona Neide, que para ela era uma quase comadre tamanha a afinidade entre as duas.  Eu me lembro que a minha avó contava que muitas vezes José e Ângelo se socorreram um ao outro quando precisavam de algum ingrediente para a produção de seus produtos e que não havia ainda chegado do exterior, de onde vinham quase todos.

Em entrevista a um jornal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Chiquinho conta que “quando criança, ainda com cinco anos, desejei ser coroinha e sempre quis acompanhar os padres nas missas. Com 14 anos, decidi ir para o seminário pois pensava em ser padre. O vigário da minha paróquia em Jaú, Nossa Senhora do Patrocínio, o padre Serra me mandou para o Seminário Menor São Carlos”. Continua: “Em 1955, dom Ruy Serra, que era o meu bispo, me encaminhou para o Seminário Maior Coração Eucarístico de Jesus, em Belo Horizonte, e aí realizei os cursos de filosofia e de teologia. Fui ordenado sacerdote no dia 9 de julho de 1961, justamente no dia em que eu estava completando 27 anos do meu batizado, quando o Pai celeste me reconheceu como seu Filho”.

Assumiu como pároco da Paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio, onde permaneceu até dezembro de 1997, quando foi eleito bispo. Sua ordenação bispal foi em 18 de março de 1998, na Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio e dias depois assumiu a Diocese de Amparo, a pedido do papa João Paulo II, onde ficou até renúncia ao governo pastoral da diocese por limite de idade. Atualmente, reside em Jaú e celebra missas em igrejas da cidade.

Enquanto pároco em Jaú por 31 anos celebrou os sacramentos, pregou a Palavra e governou seu povo. Participou de projetos sociais e religiosos, de celebrações, de pastorais, dos grupos de cursilhos, dos cursos de noivos, de batismo, da fundação do Serra Clube de Jaú, um clube de católicos leigos fundado nos Estados Unidos por um franciscano, Junípero Serra, que tem como objetivo promover e incentivar a vocação religiosa.

Dom Chiquinho se notabilizou por sua posição austera quanto aos princípios e procedimentos da Igreja Católica. Sempre fez parte atuante da vida de Jaú, onde conduziu seu rebanho com capacidade e liderança, cuidando com carinho da vida espiritual de seus paroquianos, aos quais se dedica ainda hoje. A sua lista de serviços prestados à comunidade católica é muito grande. Por isso é um patrimônio de jauensidade.

Maria Waldete de Oliveira Cestari é professora aposentada. cestari.jau@uol.com.br