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Por um novo discurso

31/12/2016
Por razões diferentes, Rafael Agostini (PSB) ingressa no segundo mandato com o mesmo discurso de 2013, amparado em “dificuldades financeiras”. Na época, alegava suposta penúria deixada por seu antecessor. Agora, aponta a queda na arrecadação como razão para seu excessivo controle financeiro. Em jogo está sim necessário rigor com as contas públicas em tempos de crise, mas também uma perigosa e desmedida restrição nos serviços. 
A Prefeitura de Jaú começa 2017 com o horário reduzido de atendimento ao público, medida que, como o próprio prefeito já reconheceu, não ajuda na economia de água e luz – mas sim evita que credores e os próprios secretários compareçam ao paço para pedir dinheiro. É a nítida sensação de que o Poder Executivo fechou para balanço, o que contradiz a “confortável” situação propalada na campanha.
Com o mantra “fazer o que tem que ser feito”, o chefe do Executivo parece se preocupar pouco com as miudezas do serviço público, que ajudam a tocar a máquina, e mantém o olhar em um horizonte pouco convincente de necessidades. 
Sua reeleição não pode ser deslegitimada, mas seus procedimentos administrativos chamam muito a atenção, inclusive por sustentar desgastes desnecessários no aspecto político.
Alguns traços do perfil de gestão mudaram, é verdade. Destaque para a atitude discreta, contra o comportamento espetaculoso que chegou a chamar cidadãos de “fariseus” no auge da epidemia de dengue. 
Conforme analisado pelo Comércio ao longo da semana, outra mudança evidente é o fim da preocupação pelo perfil técnico em seu secretariado. Ao desfigurar a Câmara para cumprir acordos e deixar sua situação mais confortável, pode prestigiar políticos em missões absolutamente vitais para a saúde administrativa.
Desafios para o segundo mandato não faltam: a necessidade de construção de galerias em 23 bairros, a inauguração mais que protelada do novo cemitério, a retomada das obras investigadas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a resolução do impasse da iluminação pública e a solução definitiva para a gestão dos resíduos sólidos. Intervenções milionárias, que solapam despesas menores, mas necessárias para a população: conforme noticiado na sexta, líderes comunitários dos maiores bairros de Jaú querem o básico do básico: espaços de lazer.
Espera-se da nova Câmara disposição para ajudar no que for necessário, mas também olhar mais acurado para as decisões administrativas e para a participação popular.
Já do prefeito e do vice Sigefredo Griso (PMDB) espera-se mais sensibilidade. Se a decisão é pelo arrocho financeiro, sempre mais prudente que o desequilíbrio, que o governo ao menos também possa olhar para outras questões sempre negligenciadas, com destaque para meio ambiente, cultura e lazer. Custa pouco – e aproxima a população de seu lar comum, a cidade.
É preciso “fazer o que tem que ser feito”, mas antes é conveniente “saber o que tem que ser feito”. As demandas não aparecem de uma cartola no gabinete, mas dos cidadãos, que merecem ser ouvidos. Em tempos de comunicação instantânea, isso está cada vez mais fácil, basta querer.
O discurso do prefeito está muito parecido com o de 2013, o que dá a impressão de que o primeiro mandato não terminou. Resta torcer, portanto, para que o segundo comece logo.