...
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Tempo de encaixotar

POR Celso Luiz Macacari 12/01/2018
Como dizem, e acertadamente, há tempo para tudo. 
Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de rir e tempo de chorar; tempo para a saúde e tempo para as enfermidades; tempo para a luz e tempo para as trevas; tempo de ajuntar e tempo de espalhar; tempo para amar e tempo para ser amado; tempo para desejar e tempo para desprezar; tempo para a urgência e tempo para o tempo...
Destarte, nos parece deveras equivocada e simplista a ideia dominante que reina entre nós no sentido de que em absolutamente todos os momentos da nossa vida sempre há de se estar e se sentir amado, feliz, curado, recompensado, iluminado, liberto, realizado... Tudo isto pode fazer (e faz) parte das novelas e dos sermões da prosperidade, mas, na vida real, evidentemente nem sempre há de ser assim.
Ah, e é de todo evidente que neste período dos anos findo e vigente, jamais poderíamos deixar de fazer menção ao tempo de montarmos as nossas árvores de Natal e presépios visando à celebração da encarnação de Deus entre nós, e o tempo de as desmontarmos. Sabemos que a grande maioria das pessoas cumpre esta tarefa com dor no coração, tristeza na alma e lágrimas nos olhos... Louvadas sejam também por isso!
No dia 6 de janeiro de cada ano a igreja católica celebra o Dia de Reis que, segundo a memória cristã, representa a oportunidade em que o recém-nascido Menino Jesus recebeu a visita dos três reis magos. Nesta ocasião, tradicionalmente se encerram os festejos natalinos, com o consequente retorno as suas respectivas caixas de tudo o quanto nos remete à festiva data.
Sim... encaixotamos as árvores, os presépios e inúmeros outros adornos alusivos ao evento, porém, sempre com a devida vênia, exorto a todos os filhos e filhas de Deus que jamais empacotem os verdadeiros sentido, magia, encanto e espírito natalino.
Desmontar a árvore de Natal é absolutamente normal e faz parte do encerramento das festividades, mas, que jamais, nunca e em tempo algum desmanchemos a vida que ela simboliza; desfaçamos sim o presépio, porém, não o que ele significa, vale dizer, a estrebaria ou curral que contém a presença do Menino Jesus a demonstrar a grandeza de Deus Pai representada na fragilidade de uma criança; encaixotemos o Papai Noel, mas nunca a figura extremamente bondosa, alegre e simpática que ele encarna.
O Natal se foi mais uma vez, no entanto, que jamais deixemos de experimentar e vivenciar em todos os dias deste ano ainda neonato, o verdadeiro espírito cristão que o envolve. Que possamos, todos, perseverar no amor a Deus e ao próximo, na solidariedade com os que pouco ou nada têm, na afetuosidade e respeito dos nossos relacionamentos (de toda ordem, frise-se: familiar, religioso, profissional, social, escolar, comunitário, etc.); que possamos, enfim, ser luz àqueles que permeiam por entre as trevas 
Com a memória voltada agora para um Natal passado e parafraseando o ilustre poeta da língua portuguesa Fernando Pessoa (1888-1935), podemos dizer que: “O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto”.

Celso Luiz Macacari é advogado, relator do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB em Bauru (TED X) e ex-presidente da OAB - subseção de Barra Bonita.