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Não é ficção científica

POR José Renato Nalini 11/07/2018
Toronto, no Canadá, vai se transformar num bairro futurista. A Sidewalk Labs, uma subsidiária de inovação urbana da holding do Google, a Alphabet, se propôs a erguer ali o primeiro conjunto de convívio construído a partir da internet. 
O projeto custará US$ 50 milhões e fará que aquele espaço se torne plataforma de teste em relação ao poder que as novas tecnologias já possuem de facilitar a vida das pessoas. 
Promete-se um grupo de robôs para fazer entrega de pacotes e retirar lixo doméstico percorrendo túneis subterrâneos. A energia elétrica será fornecida sem depender de combustíveis fósseis. Os edifícios terão módulos passíveis de mudança de uso do residencial para o comercial e vice-versa. Os passeios serão feitos de tal forma que derreterão a neve sem necessitar do trabalho insano do morador a cada nevasca de inverno. 
Não haverá veículos particulares. Os coletivos serão autônomos, não necessitarão de motoristas e atenderão a todas as necessidades. 
O plano prevê sob a superfície do bairro uma “camada digital” com sensores que vão capturar e monitorar absolutamente tudo. Desde como os bancos de parque são usados, aferindo o nível de ruído e o uso de água nos banheiros públicos e particulares. 
A coleta de dados tornará o lugar muito eficiente e sustentável. As informações serão atualizadas pelos próprios moradores, que reconhecerão as vantagens de residir num lugar em que os problemas são previstos e evitados e em que tudo funciona. Para isso, terá de haver confiança absoluta na coordenação do convívio, pois as equipes de trabalho poderão entrar em qualquer residência para fazer reparos ou para qualquer outro tipo de atuação com vistas ao bem comum.
Já existem outras “cidades inteligentes” no mundo, como Masdar, nos Emirados Árabes Unidos, ou Songdo na Coreia do Sul. Evidentemente, há críticas daqueles que defendem a privacidade. Mas quem é que não percebe que intimidade e privacidade perderam a “queda de braço” com a transparência e publicidade. Principalmente quando se pensa em segurança e no aproveitamento mais eficaz de tudo aquilo que a ciência descobriu, a tecnologia produziu e ainda é destinado a muito poucos neste sofrido planeta. 

José Renato Nalini é desembargador, reitor da Uniregistral, palestrante e conferencista.