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Jaú pagou a bitola larga 2

POR P. Preto 12/07/2018
Raramente faço sequência dos assuntos abordados neste espaço. Mas hoje abro uma exceção: o assunto em epígrafe chamou-me a atenção. Porque Jaú teve que arcar com o ônus da implementação dos trilhos em bitola larga. Lendo o compêndio “Vultos e Fatos da História do Jahu”, editado em 1953 por ocasião do centenário, fiquei interessado pela história. Aliás, é bom informar que tal publicação foi feita como uma edição conjunta extraordinária dos jornais do “Correio da Noroeste”, de Bauru, “Correio da Capital” e “Correio de Garça”. 
José Fernandes que foi o editor da obra informa que: “... Jaú desfruta hoje – isso em 1953, época em que os trens eram os principais meios de transporte de pessoas e mercadorias – de uma excelente posição no sistema ferroviário do interior, ligada diretamente à capital e com a Noroeste e, por consequência, com a Transcontinental, o seu desenvolvimento já avantajado, quando se integrou naquele sistema, mais se consolidou a partir de 1941, data em que a bitola larga atravessou as suas terras. Se por um lado a cidade vinha merecendo aquele melhoramento, por outro lado a bitola larga lhe custou não poucos sacrifícios. Nos remotos tempos imperiais, Jaú não pertencia às linhas da Companhia Paulista. Nem o governo da província de então favorecia tal ligação planejando a construção de outra estrada que, saindo de um ponto do Rio Piracicaba, galgasse a serra do Itaquiri para chegar a Jaú...”.
Isso significa que, desde os primeiros momentos, a estrada de ferro não pretendia chegar à cidade e, no caso da bitola larga, passar direto de Dois Córregos para Bauru em linha reta, deixando Jaú como um simples ramal de bitola estreita. Isso significava, a grosso modo, que os novos trilhos passariam bem longe da pequena Jaú de 1941. Pode-se dizer que, naquele tempo, já perdíamos as coisas para a vizinha cidade sem limites. Note-se que, atualmente, nem possuímos uma “joia do interior”, o que exclui o notável trabalho da Fundação Amaral Carvalho e seus milhares de pacientes. Mas esse detalhe é apenas uma divagação de um simples cronista observador. Parece uma sina. Enquanto algumas pessoas trabalham para o progresso, tem umas 50 trabalhando contra. Afinal, perdemos até um hospital. 
Voltemos ao drama da estrada de ferro que é melhor. Afinal, quanto custou a “brincadeira” da bitola larga? O mesmo citado livro supracitado: “... moço cheio de entusiasmo que, compreendendo a seriedade da situação, o prefeito Antonio de Sampaio Ferraz decidiu colocar-se à frente do empreendimento, dando todo apoio à Comissão Popular pela importante conquista. A primeira medida foi conseguir o apoio de notórias autoridades estaduais contra a posição da Companhia Paulista que era frontalmente contra a passagem dos novos trilhos por Jaú. Tanto que, já no final dos anos trinta, a empresa deixava claro o seu posicionamento”.
A Paulista falava em uma cifra de cinco mil e seiscentos contos de réis pelo trabalho. Mas a tenacidade do prefeito Totó Sampaio, com o apoio de autoridades do governo paulista, as negociações prosseguiram. Mas, como asseverou o articulista de 1953: “... não só Jaú lutava pela implantação da bitola larga. Toda a região se empenhou nessa luta que seria, realmente, uma grande conquista para possibilitar o progresso de forma geral. Após intensas negociações, o valor acabou reduzido à cifra de dois milhões e trezentos mil cruzeiros que, para a época, era uma quantia considerável a ser dispendida pelos jauenses. Também apoiaram o prefeito o senhor José de Toledo Morais, presidente da comissão popular e Francisco Aprigliano, presidente da Associação Comercial que, em carta, concordavam com a importância mencionada...”.
Assim, em 15 de novembro de 1941, apesar das dificuldades impostas pela eclosão da segunda grande guerra, a bitola larga, com seus trens maiores e mais possantes, chegava a Jaú, com uma solenidade máxima que incluía, também a cidade de Pederneiras, segundo informa a citada obra “Vultos e Fatos da História de Jahu”. Como podem ver, foi assim que “Jaú pagou a bitola larga...”.

P. Preto é jornalista.
p.preto@hotmail.com