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Aparecida e meu pai...

POR Celso Luiz Macacari 10/08/2018
No primeiro final de semana deste mês de agosto, minha esposa e eu uma vez mais fomos em romaria para a cidade de Aparecida. Como bons filhos que buscamos ser, ordinariamente nos dirigimos à casa de nossa mãe espiritual a fim de agradecer-lhe pelas bênçãos e graças recebidas em nossas vidas e, para não perdermos o costume, dirigir-lhe mais algumas súplicas... Ah, e como a mãe tem paciência conosco... Ela sempre nos ouve com o maior carinho...
Gostamos de realizar estas viagens em romaria por muitos aspectos: a tranquilidade de não necessitarmos dirigir por aproximadamente 6 horas (incluindo-se as paradas em postos de abastecimento para degustarmos um delicioso cafezinho e esticarmos um pouco as pernas, ao mesmo passo em que damos um merecido e necessário descanso a nossa região glútea); a possibilidade de dormirmos um pouco durante a viagem; o custo/benefício do deslocamento e da hospedagem (análise tão necessária, principalmente nestes tempos tão difíceis para todos); a possibilidade de podermos visualizar belíssimas paisagens constantes no trajeto; a segurança, mas, principalmente, porque em grupo conhecemos pessoas fabulosas que muito se assemelham a nós pela vivência da mesma fé cristã e com elas estabelecemos amizades que vão muito além dos dias destinados ao passeio... 
Nestas ocasiões, invariavelmente realizamos uma visita à charmosa e bucólica Basílica Velha. Uma vez presente neste espaço sagrado, faço absoluta questão de sentar-me em um dos bancos azuis instalados na praça existente a sua frente, e me ponho em profunda comunhão espiritual com o meu amado e saudoso pai terreno...
É incrível como sinto ali a forte presença dele em mim, envolvendo-me completamente com um passado distante, mas iniludivelmente presente nestas oportunidades de intensa reflexão... Parece-me ver um ônibus estacionado defronte à basílica, com todos os felizes romeiros cuidadosamente postos em duas fileiras: metade agachados e a outra em pé... E meu pai, como motorista do coletivo, todo garboso e devidamente uniformizado postado na ponta de uma das carreiras... Meu Deus, quanta saudade!
Depois de certo tempo, não sei como e nem com que forças, eis que abatido e triste pela realidade do seu falecimento, da sua ausência material entre nós, dirijo-me a uma das ruas estreitas (e apinhadas de visitantes) localizadas ao lado da igreja e, uma vez mais, perco-me nas visões daquelas íngremes ladeiras onde se situavam os hotéis em que os romeiros e o meu pai se estabeleciam. Tenho muito vivas e presentes estas imagens porque, em algumas oportunidades, minha amada mãe e nós, os filhos, o acompanhávamos nestas viagens.
Apenas para situar o estimado leitor e a querida leitora na linha do tempo, anoto que estou me reportando a fatos transcorridos no início da década de 60...
E foi exatamente na hoje denominada Basílica Velha de Aparecida que a saga de cinco irmãos, entre os quais o meu saudoso e amado pai, teve início no ramo turístico, tornando-se conhecida em âmbito nacional. Não foram poucos os desafios, mas a persistência, a honradez, o ingente esforço de todos e, acima de tudo, a inabalável fé em Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que tornou possível a concretização de um sonho gestado de há muito pelos cinco irmãos...
Seu Avelino, neste dia tão especial, uma vez mais registramos o quanto sentimos a sua ausência física entre nós, sentimento que, graças ao bom e misericordioso Deus, jamais passará... Sabemos que o senhor está bem ao lado do Pai dos pais, certamente conduzindo vários romeiros em mais uma visita à casa da mãe. Por favor, não se esqueça da tradicional fotografia em preto e branco para novamente registrar este momento de imensurável e perene encanto...
Feliz Dia dos Pais, biológicos ou não! 

Celso Luiz Macacari é advogado, relator do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB em Bauru (TED X) e ex-presidente da OAB - subseção de Barra Bonita.