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Parabéns, professor!

POR Aguinaldo dos Santos 10/10/2018
Para começar: Sabemos que a valorização do professor é a primeira providência para promoção de educação de qualidade, para evitar a perda de sua dignidade e de sua própria identidade profissional. A educação não é concessão ou favor do poder público aos cidadãos. É “direito de todos e dever do Estado e da família” e “será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade (...)”. 
Por seu turno, a valorização do magistério é velha promessa, principalmente por ocasião das eleições. “Existe um claro nexo entre toda essa estratégia (melhoria do ensino) e os salários do magistério. Hoje, o professor ganha mal porque o governo gasta errado. Sem a recuperação da dignidade da profissão de educador e do seu reconhecimento social, mediante estímulos e aperfeiçoamento, apropriadas condições de trabalho e melhores salários, nem a mais bem-intencionada política de qualidade de ensino chegará a parte alguma” (Mario Covas).
É preciso que as autoridades governamentais não façam promessas eleitoreiras e voltem seus olhos para o artífice da obra educacional: o professor!  Além de profissional, o professor é educador. Mas, o nosso professor, baluarte na formação das gerações, responsável pela formação de craques em várias profissões, está recebendo o tratamento de que é merecedor? Está sendo tratado com dignidade e respeito?
Infelizmente, em lugar da decantada valorização do magistério, prometida pelos governantes anteriores, atuais e futuros, durante e depois das campanhas eleitorais, há um contínuo desprestígio e agravamento da situação, pois além do salário vil, as condições de trabalho são péssimas. A valorização do magistério, além de constar do texto constitucional atual, já estava na Lei Federal nº 5.692/71 e está presente também na atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996. 
Não para aí, nossos legisladores definiram legalmente: “o ensino será ministrado, entre outros, com base no princípio da valorização do magistério, garantido,(?) na forma da lei (art. 206-V-CF/88). São garantias constitucionais que não passam do papel. O professor não é um profissional comum. Mas, como cidadão-profissional, se alimenta, se veste, trata de sua saúde, cuida de sua família, paga aluguel e impostos, tem direito ao lazer... 
O seu trabalho não pode ser transformado em ganho avulso, numa tarefa ocasional, num emprego subsidiário e pouco rendoso. A carreira do profissional de ensino é sua vida, é subsistência sua e da família. Apesar dos percalços, esse baluarte está compromissado com a educação, elegendo-a o seu caminho; sempre acolhe com bondade todos os que o procuram, sem fazer qualquer discriminação; ama com singeleza o ser humano, sem distinção de origens, seguindo os ensinamentos.
O professor se realiza com o sucesso do ser que lhe é confiado; com serenidade, cativa alunos, colegas, amigos e familiares; “gosta de ser gente, mesmo sabendo que as condições materiais, econômicas, sociais, políticas, culturais e ideológicas em que nos achamos geram quase sempre barreiras de difícil superação para o cumprimento de sua tarefa histórica de mudar o mundo; mas estão atentos e sabem também que os obstáculos não se eternizam” (Paulo Freire). 
Professor, todas as homenagens que lhe prestarmos serão nada, se comparadas ao muito que você nos proporcionou e proporciona com as lições que nunca desaparecerão. Parabéns, professor!

Aguinaldo dos Santos é advogado, ex-dirigente regional de ensino, supervisor pedagógico e dirigente regional do Centro do Professorado Paulista.