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Detalhes históricos da cidade - parte 23

POR P. Preto 11/10/2018
Após um breve hiato, até para não cansar, estamos de volta ao grande desfile dos cem anos de Jaú, em 15 de agosto de 1953, conforme informações contidas no livro “Vultos e Fatos da História do Jaú”. Como já informado em texto anterior, tudo teve início às sete horas, quando começaram as movimentações das diversas unidades escolares. Apesar do frio que teimava em reinar absoluto, a população ocupava as ruas centrais para assistir à passagem de todas as alegorias que homenageavam a cidade. “O desfile – escreveu o Comércio do Jahu – ficará por muito tempo perdurando na lembrança da multidão que assistiu a esse tão belo dia festivo (...)”. O jornal “Correio da Manhã” registrou “(...) bem-merecido os aplausos calorosos e frenéticos prodigalizados a essa coorte de bravos se fundiram em uma só família (...)”.
O palanque armado defronte à Igreja Matriz do Patrocínio abrigava as autoridades e convidados especiais. Após a apresentação do Colégio São Norberto, Ginásio e Escola Normal São José, Escola Normal Oficial, Colégio Estadual e Escola Normal, Banda Carlos Gomes, que rompeu em marcha batida, Escola Técnica de Comércio de São Carlos e Ginásio Julien Fauvel, Centro Estudantino Jauense com seus atletas, portando a bandeira dos Escoteiros, postou-se a fanfarra da Escola Horácio Berlinck e, atrás dela os alunos da escola, composto também por pelotões ciclistas masculino e feminino, com bandeiras e brasões que, perante a tribuna oficial soltaram centenas de balões que subiram ao espaço com uma miniatura do hidroplano de Ribeiro de Barros. A escola trouxe, ainda, um carro alegórico com moças representando as colônias que cooperaram com o desenvolvimento da cidade e uma canoa simbolizando as embarcações que, pelo Rio Tietê trouxeram os desbravadores. 
Finalizando chegou a vez da Escola Técnica Joaquim Ferreira do Amaral, sob a cadência de sua fanfarra e, segundo a obra consultada para pesquisas, uma vez que na época eu tinha apenas dez anos, “a escola, assim como as demais entidades, prestando homenagens às autoridades postadas na tribuna. Os alunos empunhavam efígies de dom Pedro I, relembrando o artífice da independência, do comandante João Ribeiro de Barros, evocando o seu extraordinário feito. Em uma bela alegoria, um carro mostrava seu hidroplano, o Jahú, girando em torno de um globo e, nas asas do aparelho, a frase histórica ‘Vou ali já volto’. Em primeiro plano, a graciosa rainha da escola, senhorita Maria Leny Trementoci e, em seguida, uma espécie de referência ao comércio e à indústria, além de uma águia com uma pena no bico, homenageava a imprensa (...)”. 
Os leitores devem ter notado o estilo rebuscado da escrita que se utilizava na época, notadamente da edição conjunta extraordinária do “Correio da Noroeste”, com periódicos “Correio de São Paulo” e de Garça que cuidaram da obra que nos tem servido como referência.
Que foi um grande acontecimento, na época, não existe dúvida alguma, como se pode observar pelas descrições. Terminou? Não. Conta a fonte de referência que em seguida vinham outros carros alegóricos da escola, demonstrando a capacidade orientadora dos professores e a habilidade vocacional dos alunos do setor de carpintaria, pintura e desenho, exemplos eloquentes de que o sonho de Joaquim Ferreira do Amaral se transformou em uma esplêndida e fecunda realidade. 
A entidade de ensino realmente foi, em um passado não tão distante, um celeiro de pessoas bastante habilitadas nas profissões nas quais se formaram. Dali saíram excelentes marceneiros e carpinteiros, além de ótimos mecânicos, muitos dos quais foram direto para as indústrias automobilísticas que se instalavam em São Paulo. Contam que essas empresas, no final de cada ano, entravam em contato com a escola para selecionar os melhores alunos nessas profissões que fizeram carreira nas indústrias citadas.
Um dos pontos altos do grande desfile foi o carro que trazia um enorme peixe que, em sua simplicidade, implicou em um trabalho de execução dos mais difíceis, construindo-se em um carro alegórico evocando os primeiros tempos do povoado. Essas e outras histórias que ainda virão constituem os “detalhes históricos da cidade...”.

P. Preto é jornalista.
p.preto@hotmail.com