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Fraternidade e responsabilidade

POR Maria Toledo Arruda Galvão de França 05/12/2018
Neste início de dezembro, com as luzes enfeitando as noites e as lojas; com as magníficas floradas dos flamboyants, resedás e cássias colorindo as ruas, acredito que já podemos sentir a alegria e o espírito do Natal - se evitarmos olhar para o lixo espalhado no chão, os buracos no asfalto, o mato alto por toda a cidade refletindo o seu abandono e o descaso dos responsáveis pela administração pública.
O mês que os cristãos escolheram para celebrar o nascimento de Jesus parece sempre trazer reflexões sobre os nossos valores mais verdadeiros: o amor, a família, os amigos e a fraternidade; a refletir sobre as lições que Ele nos deixou e sobre o propósito de servir-nos delas para uma vida melhor.   
O escritor espírita Édo Mariane nos dá uma bela reflexão: “A mensagem cristã exige de nós uma transformação que não pode reduzir-se a um dia, a algumas horas, a uma festa recheada de presentes. Do contrário, as comemorações do Natal terão para nós um sentido vago, puramente material, como outra festa mundana qualquer. A importância não está no ‘feriado’, mas em ser ‘ferido’ pela boa nova cristã, capaz de nos remover do comodismo. É preciso que a palavra Natal quebre algo dentro de nós, que nos arraste, nos seduza. Eis o verdadeiro sentido do Natal!”.
Como seria bom se esse espírito de Natal seduzisse todos nós e também os administradores e legisladores da cidade – que tanto invocam o nome de Deus nas sessões - para que todos esquecessem seus interesses particulares e passassem a pensar, com uma visão fraterna, nos moradores da nossa cidade, onde os abrigos para homens e mulheres carentes são quase inexistentes; onde um pequeno abrigo para meninos ameaça fechar as portas; onde a infestação de escorpiões causa medo e ameaça vidas infantis; onde escolas, ginásios, calçadas, campinhos, creches, praças e parquinhos infantis estão no mato e no abandono; onde faltam remédios nos postinhos; onde o acúmulo de lixo pode significar o aumento de animais peçonhentos ou outra epidemia de dengue; onde faltam galerias, sinalização e fiscalização nas ruas e nos estacionamentos e onde em muitos locais a iluminação é tão falha que traz insegurança e medo.
Talvez o espírito de solidariedade do Natal pudesse acabar com a arrogância de alguns e com falta gritante de democracia na Câmara e no uso da tribuna cidadã! Talvez muitos dos parlamentares começassem a distinguir o que é público do que é privado e parassem de abusar do erário em busca de medalhas; no mau uso das sessões e da tribuna para homenagens pessoais ou eleitoreiras, para destilar rancores particulares e para ofender pessoas da plateia ignorando o regulamento da casa e a devida postura parlamentar. 
Talvez tomassem consciência do quanto é ridículo afirmar que “foram eleitos e se não estamos contentes deveríamos nos eleger para fazer o que quisermos”- como o líder da situação o fez - como se tivessem sido eleitos para fazer o que quiserem e não recebessem do povo para trabalhar por ele e pela cidade.
Como seria bom se a maioria dos parlamentares da situação se cobrisse de responsabilidade fraterna para com a população que os elegeu e neles confiou; e, esquecendo a submissão e os interesses que os aprisionam, se unissem àqueles que clamam por cuidados prementes com a cidade. Que, prioritariamente juntos, reexaminassem a questão da concessão da água do Município; dada de maneira visivelmente irregular, cuja concessionária agora exige aumentos abusivos, que penalizarão ainda mais a população carente. Que Deus permita que o entendimento deles alcance o verdadeiro sentido do Natal e da responsabilidade que lhes compete na saúde e na vida das pessoas da cidade.

Maria Toledo Arruda Galvão de França é dona de casa.