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O que disseram os leitores

POR P. Preto 10/01/2019
O último texto sobre a Casa da Criança, publicado no dia 6 de dezembro mereceu inúmeros comentários dos leitores, não só sobre o local enfocado, mas também sobre o Educandário, até pela proximidade dos dois, na mesma Sérgio de Souza Gomes contou que, na época em que foi aluno no curso primário do Grupo Escolar Major Prado – era essa a antiga denominação da escola – teve vários colegas de classe que vinham tanto da Casa da Criança como do Educandário e eram todos educadíssimos e estudiosos. Carlos Roberto Dias disse que o texto retratou muito bem a instituição. “Frequentei muito o Educandário onde tinha excelentes amigos que lá residiam. Lembro-me com muito carinho da irmã Crucifixo que cuidava de todos nós quando jogávamos bola.”
Maria Fátima Daniel Mariano, leitora de todos os livros que lhe caem nas mãos, também se recorda muito da irmã Crucifixo. Disse que ela era um sorriso só. Pela história da instituição, retornou no tempo quase 60 anos. Lembrou-se da figueira enorme que nos dava uma sombra maravilhosa. Coisas da infância, afirma saudosa. Geraldo Antonio Rodrigues, que foi presidente da Casa da Criança por duas gestões muito profícuas, conta que lá estiveram, além dele, quando criança, os irmãos Sebastião, Valentim e o caçula Zezinho. Já Iara Fonseca recordou uma figura importante que também fez parte da Casa da Criança, Antonio Ferreira dos Santos Filho, o Toninho da Farmácia, que todos os dias subia a Rua 7 de Setembro, ocasiões em que ia enriquecer, com vitaminas, o café da manhã da criançada.
Já Mario Candido disse enfaticamente que foram muito bons seus tempos na Casa da Criança. Auta Marcondes Sagioro não é jauense de berço, mas por adoção e, assim, reconhece o brilhante trabalho lá realizado, inclusive e principalmente por todos os que pela sua direção passaram e pelos atuais. Mas foi o doutor Jorge Abdo, cartorário de primeira linha que foi, inclusive professor de direito, quem trouxe uma bela história, em que ele conta: “ocupei o cargo da antiga escrivaninha de menores na época do doutor Rubens Moraes Sales e seus antecessores. Secretariei durante a provedoria do Educandário, exercida por Egisto Franceschi. Bento Navarro e Sampaio Góes. A irmã Espírito treinava os menores internados jogando futebol. Eu escalava os comissários de menores que fiscalizavam a entrada de menores, no cinema, quando exibiam filmes impróprios e censurados...”.
Mais adiante ele explica: “O Ministério da Justiça expedia a relação desses filmes e eu, para mostrar serviço, colocava nas igrejas a relação dessas películas. Certo dia encontrei-me com o gerente do Cine Jaú e ele me disse que o meu trabalho vinha ajudando lotar o cinema e a empresa Pedutti agradecia meu trabalho. Os chamados comissários de menores também proibiam a entrada de menores nos bailes noturnos, uma vez que os clubes organizavam vesperais para os mesmos. Quando a ronda policial encontrava menores abandonados ou perambulando, esses comissários tinham que resolver onde colocá-los. Era aí que eu solicitava apoio para dona Rosa Maciel Fagnani para abrigá-los no Educandário. Na jurisdição do doutor Rubens Moraes Sales era assim. Esse magistrado se preocupava muito com a situação dos menores...”.
Doutor Jorge Abdo ainda conta que: “...quando a madre Rosália Gamberini estava doente, eu tinha autorização para entrar na clausura, assim como os médicos. Mencionada religiosa fez um testamento doando seus bens para a Mitra Diocesana construir uma igreja e abrigo para as meninas. Quando havia necessidade de internar menores problemáticos em São Paulo, o comissário, o policial e o menor não pagavam passagens nos trens. Depois de preencher um colosso de papéis, nem as despesas de alimentação eu pagava. Atualmente o setor de menores se encontra desorganizado no salva-se quem puder nos governos atuais...”.
Como podem observar pelas manifestações acima, as instituições Casa da Criança e o Educandário prestam excelentes serviços à causa dos menores, embora hoje em dia o problema envolvendo menores seja muito grande. Mas, “foi o que disseram os leitores...”.

P. Preto é jornalista.
p.preto@hotmail.com