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Fã do Mito

POR José Francisco Gonçalves de Souza 11/01/2019
Como escrevi nos últimos textos, o Brasil passou por um processo de escolha livre e democrática. Nestas eleições decidimos entre dar continuidade nas políticas públicas aplicadas pelo governo do Partido dos Trabalhadores ou dar a chance para um grupo recém-formado governar o País com viés social e liberal. Todos nós já conhecemos o resultado.
Durante a campanha da coligação vencedora, a palavra Mito e a frase “o capitão chegou” foram propagadas e, paradoxalmente, um dos slogans disseminados por este grupo foi: “não temos político de estimação”.
Nas palavras que seguem, vou fazer uma espécie de quizz em que cada resposta positiva somará dez pontos. Convido o leitor a fazer essa autoavaliação e, consequentemente, uma avaliação dos primeiros dias de governo. Responda:
1) Você acredita que Bolsonaro aplicará uma “nova política”? 2) Foi a primeira posse de presidente da República que você acompanhou, ao vivo, na TV ou internet? 3) Você concorda com a nomeação do juiz federal Sérgio Moro como ministro da Justiça mesmo sabendo que ele foi o responsável pela prisão do ex-presidente Lula, maior adversário do Bolsonaro nas urnas? 4) Você aceita a ideia do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão que realizou denúncias contra o filho de Bolsonaro no Rio de Janeiro, ter a direção transferida para o ministério do Moro já no primeiro dia do novo governo? 5) Você concorda com a nomeação de Joaquim Levy como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mesmo sabendo que Joaquim trabalhou em outras gestões, foi ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e, sob o seu comando, o Brasil entrou em recessão além de perder o grau de investimento, ou seja, o selo de País bom pagador da sua dívida? 6) Quando questionado sobre a redução do aumento do salário mínimo você diz que o culpado disso tudo é o Temer, a Dilma ou até o Produto Interno Bruto brasileiro? 7) Você não entende muito sobre a capitalização da Previdência, nem conhece os países que realizaram essa medida econômica mas, sabendo que é proposta do Bolsonaro, reconhece que essa medida é a melhor das opções para as aposentadorias dos brasileiros? 8) Você acredita que o apoio total do Partido Social Liberal (partido do Bolsonaro e segunda maior bancada) na candidatura do Rodrigo Maia, do partido Democratas) à presidência da Câmara dos Deputados não tem relação nenhuma com as ideias do presidente da República eleito? 9) Para você, devemos respeitar a tradição judaica e transferir a embaixada israelense de Tel Aviv para Jerusalém e concordar, ao mesmo tempo, com a política de Bolsonaro sobre a demarcação de terra indígena? 10) Você acha sou petista, socialista ou torço contra o novo governo?
Respondidas as questões e realizada a soma da pontuação, se o leitor obteve mais que 80 pontos parabéns, você possui um político de estimação. Caso sua pontuação tenha ficado entre 50 e 80, você é um fanático em potencial e, se ficou abaixo dos 50 pontos, há um pouco de racionalidade em suas decisões.
Brincadeiras à parte, militantes da vanguarda sempre dizem: “votar em fulano sem ilusão”. Concordo. Isso quer dizer que não devemos postar nos vencedores do pleito toda crença por um País melhor, mas, sim, reconhecer o que foi feito até aqui e percorrer o caminho para a melhoria das condições de vida do povo brasileiro, sem fanatismo ou até cegueira política.
Por fim, outro político apreciado pelos eleitores que estamos conhecendo é o João Doria, novo governador do Estado de São Paulo. Mesmo sabendo que Jaú é majoritariamente uma cidade de peessedebista (para não dizer “coxinha”), precisamos nos atentar com o governo estadual. Doria está fazendo do Palácio dos Bandeirantes um posto avançado do governo Temer, isto é, dez ex-ministros da gestão Temer comandarão o Estado mais rico da nação.
Portanto, devemos ficar vigilantes, não ler apenas a primeira página das revistas e noticiários, desconfiar das informações disseminadas, descobrir a verdade sobre os fatos e conhecer os dois lados das mais diversas histórias. Assim sendo, o Brasil não terá eleitores apenas a cada quatro anos e construiremos um País com mais justiça social e sem políticos de estimação.

José Francisco Gonçalves de Souza é professor e coordenador sindical.