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Procura-se presidente da República

POR Giovanni Mockus 12/02/2015

É muito comum, quando um governo é empossado, que ele se veja de frente ao que chamamos de “herança maldita”, ou seja, que ele tenha de lidar com os erros do governo anterior de forma a evitar maiores problemas para o País. O que já não é tão comum: um governo deixar uma herança maldita para si mesmo.

Dilma Rousseff governou o país de 2010 a 2014 e foi reeleita para um novo mandato até 2018. Entretanto, a inexperiência e crença equivocada em sua capacidade administrativa levou o governo federal a colocar o Brasil em uma situação que hoje foge do controle. Por mais que a oposição tenha alertado, a mídia tenha informado, parte da população tenha suplicado, o povo reelegeu o PT com base em uma campanha manipuladora que hoje vemos com mais clareza do que na própria época das eleições.

A candidata Dilma afirmou, em alto e bom som, que não alteraria os direitos do trabalhador “nem que a vaca tussa” (nas palavras da mesma). Já a presidente Dilma sancionou, em janeiro, a redução de diversos direitos como o seguro-desemprego e o acesso as pensões.

A candidata Dilma bradou que a economia brasileira ia de vento em popa e que o País voltaria a crescer em 2014. Já a presidente Dilma, que recebeu o País em superavit primário, iniciou seu segundo mandato em deficit primário colocando o Brasil em recessão econômica. Solução?

Seu ministro da fazenda anunciou um pacote de aumento de impostos para incrementar a arrecadação fiscal em R$ 20 bilhões neste ano. Entre os produtos que sofrerão aumento por conta dessas medidas temos: a gasolina; produtos industrializados; alimento; cobrança das operações financeiras (IOF). Curiosamente, embora o País esteja tecnicamente quebrado, o Palácio do Planalto teve os gastos com cartões corporativos aumentados em 51% no ano passado.

A candidata Dilma utilizou, como uma de suas principais bandeiras eleitorais, a redução dos preços da energia elétrica no Brasil e afirmou que não haveria nenhum risco de racionamento de energia no País, diferente do que aconteceu em 2001 sob o governo Fernando Henrique Cardoso. Após as eleições, pessoas ligadas ao governo já admitem aumento em até 40% na conta de luz do brasileiro. Como se não bastasse, recentemente ocorreu um apagão em 10 Estados brasileiros e Distrito Federal. Especialistas comprovam que a situação do parque energético, incluindo o nível das represas das hidrelétricas, é pior do que na época dos apagões de 2001. Podemos esperar mais cortes de energia.

A candidata Dilma fez forte defesa ao combate a corrupção, inclusive utilizando a plenária da ONU como palanque eleitoral. Entretanto, hoje, a presidente enfrenta o maior escândalo de corrupção deste País (maior que o Mensalão). As investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal, culminaram na prisão os altos executivos da Petrobras por crimes contra a corporação e contra a União. A maioria deles, amigos e/ou indicações de Dilma para os respectivos cargos. Ela, por sua vez, afirma não saber de nada.

De duas uma: ou a presidente realmente é muito inocente e não faz a mínima ideia do que está acontecendo no seu próprio País. Ou, dois: ela ignorou tudo e todos, acreditando na sua capacidade administrativa, e realmente perdeu o controle do governo federal.

Um sinal claro de que a situação realmente está fora de controle é quando um petista concorda com isso. Um sinal pior ainda, é quando o próprio José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e mensaleiro condenado, admite que o País está um caos e que Dilma não sabe o que faz, como publicou recentemente em seu blog. Talvez ela devesse parar de se preocupar com a execução de traficantes do outro lado do mundo e começasse a olhar mais para a Nação a qual preside.

Giovanni Mockus é graduando em gestão de políticas públicas pela Universidade de Brasília (UNB) e membro da Rede Sustentabilidade. Twitter: @giovannimockus